Diferente, porém contente.
Meu amigo diferente é especial
Trabalhar com a diversidade
é um verdadeiro desafio e infelizmente muitas das nossas escolas não possuem
ainda uma estrutura adequada, as equipes de profissionais estão despreparadas
para atender a demanda educacional de crianças com problemas físicos ou
mentais. Faltam equipamentos, materiais pedagógicos e tecnologia adequada,
rampas de acesso e tantas outras e sem esquecer que essa inserção é um direito
pleno da criança. Felizmente cada vez mais a inclusão de crianças com algum
tipo de deficiência já faz parte da realidade da educação no Brasil, aos poucos
vão ficando de lado o preconceito e a diferença é aceita respeitada e
compreendida. E pensando nisso é que vou a procura de uma nova experiência que
envolva crianças com algum tipo de deficiência. O meu desafio para esta semana
é buscar em algumas escolas, ONGs e até em comunidades crianças que tenham algum
amigo com deficiência. Vou trabalhar com eles a questão sobre as relações de
amizade e o respeito às diferenças, pois o mesmo é impossível de ocorrer da
noite para o dia, e sendo assim é preciso notar que se trata de um processo
continuo que devem ser cultivadas diariamente Essas crianças vão elaborar um
desenho de um amigo com deficiência física ou mental, mas para isso é necessário que
eles conheçam à criança, pois o tema proposto é “Meu amigo diferente é
especial” e também relatar porque este amigo é especial para ela.
Desenho realizado
na Escola Municipal Vila Lobos
Comentário do
aluno: Ramon José Felix
10 anos
1) Qual é o nome
do seu amigo?
O nome dela é
Luíza.
2) Por que seu
amigo é diferente?
Ela é diferente porque nasceu assim ela não enxerga e precisa da ajuda
dos outros amigos da sala para brincar e fazer algumas coisas.
3) Como teve
inicio essa amizade entre vocês?
Quando ela chegou à escola, sempre era o ultima a sair para o lanche, e
eu também não gosto de sair rápido, então comecei a esperar por ela e começamos
a conversar.
4) Conte para nós,
como você trata o seu amigo?
Respeito às coisas
que ela fala e gosto de esperar que ela peça que a ajude, na subida dos degraus
e nas brincadeiras do parque.
Desenho
realizado na Comunidade Valo Verde
Comentário de:
Maria Luiza Mendes
10 anos
1) Qual é o nome do seu amigo?
Ela se chama Carolina.
2) Por que seu amigo é diferente?
Ela é diferente porque não consegue andar, e
usa uma cadeira de rodas.
3) Como teve inicio essa amizade entre
vocês?
Foi no dia da festa do dia da criança,
quando ela pediu para ajudar a empurrar a cadeira dela, ai eu começamos a
conversar.
4) Conte para nós, como você trata o seu amigo?
Com carinho porque ela é minha amiga é só
não anda, mas nós brincamos de varias coisa e nos divertimos muito.
Desenho
realizado na Escola Municipal Rui Barbosa
Comentário
do aluno: João Pedro Jardim
09
anos
1) Qual é o nome do seu amigo?
O nome dela é Juliana.
2)
Por que seu amigo é diferente?
Porque ela é feliz, mas precisa da ajuda dos
colegas de sala para fazer algumas coisas.
3) Como teve inicio essa amizade entre
vocês?
Foi quando a professora disse que teríamos
um novo aluno na sala e precisaria da ajuda de todos.
4) Conte para nós, como você trata o seu
amigo?
Com paciência e respeito porque ela não tem
os braços, então eu ajudo quando precisa.
A inclusão escolar depende de um todo, do professor, aluno, comunidade e funcionários, todos juntos reconhecendo a importância de se quebrar o preconceito e aceitar as diferenças. Uma escola inclusiva deve possuir professores capacitados e recursos didáticos que possam ajudar a melhorar o processo de ensino e aprendizagem de todos os alunos de toda diversidade. As mudanças são fundamentais para inclusão, mas exige esforço de todos possibilitando que a escola possa ser vista como um ambiente de construção de conhecimento, deixando de existir a discriminação. Para isso, a educação deverá ter um caráter amplo e claro, favorecendo a construção ao longo da vida, e todo aluno, independente das dificuldades, poderá beneficiar-se dos programas educacionais, desde que sejam dadas as oportunidades adequadas para o desenvolvimento de suas potencialidades. Isso exige do professor uma mudança de postura além da redefinição de papeis que possa assim favorecer o processo de inclusão.
Para que a inclusão seja uma realidade, será necessário rever uma série de barreiras, além da política e práticas pedagógicas e dos processos de avaliação. É necessário conhecer o desenvolvimento humano e suas relações com o processo de ensino aprendizagem, levando em conta como se dá este processo para cada aluno. Devemos utilizar novas tecnologias e Investir em capacitação, atualização, sensibilização, envolvendo toda comunidade escolar. Focar na formação profissional do professor, que se faz importantes para se aprofundar as discussões teóricas práticas, proporcionando melhoria do processo ensino aprendizagem. Assessorar o professor para resolução de problemas no cotidiano na sala de aula, criando alternativas que possam beneficiar todos os alunos. Utilizar metodologias que possam ser mudadas, ou seja, flexíveis, levando em conta a individualidade de cada aluno, respeitando seus interesses, suas idéias e desafios para novas situações.
Investir na proposta de diversificação de conteúdos e práticas que possam melhorar as relações entre professor e alunos. Avaliar de forma continuada e permanente, dando maior importância à qualidade do conhecimento e não a quantidade, oportunizando a criatividade, a cooperação e a participação.
Valorização maior das metas e não dos obstáculos encontrados pelo caminho, priorizando as questões pedagógicas e não apenas a questão biológica, com expectativa de que tudo será resolvido pela saúde.
No entanto é de consenso que esse processo é de responsabilidade de toda a sociedade e por tanto é preciso que a escola esteja aberta para a "escuta", favorecendo assim, as trocas para a construção do processo de inclusão escolar.
E em busca de mais informações marcamos com um profissional da área que nos fala a seguir:
Em entrevista para esse trabalho a Professora, Patrícia Viana Gomes, nos fala sobre a sua formação e suas experiências em sala de aula com aluno deficiente.
1) Qual é a sua formação?
Sou pedagoga de formação com pós-graduada em psicopedagoga e também em Educação, Diversidade e Inclusão Social.
3) O que é educação inclusiva?
É a educação para todos, isto é a educação que visa reverter o percurso da exclusão, ao criar condições, estruturas e espaços para uma diversidade de educando. Assim, a escola será inclusiva quando conseguir transformar não apenas a rede física, mas, a postura, as atitudes e as mentalidades dos educadores e da comunidade escolar em geral.
2) Como se constrói uma sociedade inclusiva?
É preciso fazer o possível e o impossível no plano pessoal e coletivo enfrentar os obstáculos, pesadelos, superar o conformismo e não desistir do sonho.
4) Fale um pouco de uma das experiências que teve com aluno deficiente físico ou mental.
Este caso é de um menino, o Lucas que estava no Infantil II e que possuía uma síndrome que lhe acarretava uma série de limitações físicas: tinha uma estatura abaixo da média, dificuldades para andar, não tinha o polegar da mão direita, tinha seis anos e estava começando a falar. Sua inteligência e aspectos cognitivos estavam perfeitamente preservados, como pudemos perceber pelo seu desempenho naquele ano letivo.
O infantil II se caracteriza pela intensificação do processo de alfabetização. É neste ano que a criança começará a escrever com mais regularidade e onde suas hipóteses sobre a escrita começarão a ser desafiadas. É uma classe que faz a junção cada vez mais constante entre a brincadeira e algum tipo de registro escrito do que está sendo vivenciado. Lucas chegou ao Infantil II sabendo escrever seu nome, como todos os outros alunos que haviam aprendido no ano anterior. Percebemos que escrevia com enorme dificuldade, pois apesar de possuir o polegar da mão esquerda, Lucas era destro e pegava a caneta sempre com a mão direita e foi com ela que aprendeu a escrever seu nome. Fizemos uma adaptação em que só usávamos canetas, canetinhas e lápis de cor mais grossos, que davam mais firmeza e facilitavam sua produção escrita.
O infantil II se caracteriza pela intensificação do processo de alfabetização. É neste ano que a criança começará a escrever com mais regularidade e onde suas hipóteses sobre a escrita começarão a ser desafiadas. É uma classe que faz a junção cada vez mais constante entre a brincadeira e algum tipo de registro escrito do que está sendo vivenciado. Lucas chegou ao Infantil II sabendo escrever seu nome, como todos os outros alunos que haviam aprendido no ano anterior. Percebemos que escrevia com enorme dificuldade, pois apesar de possuir o polegar da mão esquerda, Lucas era destro e pegava a caneta sempre com a mão direita e foi com ela que aprendeu a escrever seu nome. Fizemos uma adaptação em que só usávamos canetas, canetinhas e lápis de cor mais grossos, que davam mais firmeza e facilitavam sua produção escrita.
Percebemos que ao longo do trabalho Lucas só havia exercitado as letras de seu nome, mas como a demanda pela escrita se intensificou, volta e meia ele esbarrava na grafia de letras que ainda não conhecia. Este processo do aprendizado da grafia das letras estava exigindo um tempo e esforço muito grande e percebemos que isto poderia desestimular Lucas, tornando o exercício da escrita penoso e chato, ao invés de algo desafiador e estimulante. Pensamos que se nos fixássemos neste aspecto da grafia poderíamos prejudicar aquilo que realmente nos interessava que era fazer com que Lucas pudesse pensar em como as palavras são escritas e construir hipóteses sobre este grande enigma que é a confecção de uma palavra. Bem, decidido isto, introduzi as letras móveis e abandonamos a caneta durante algum tempo. Pedia para que Lucas escrevesse somente seu nome nas atividades que realizávamos. Este tipo de intervenção com as letras móveis exige um material simples e que geralmente já existe na própria sala de aula disponibilizado para as outras crianças também. Pode ser feito escrevendo as letras do alfabeto em quadradinhos de cartolina.
Desta forma Lucas "deslanchou" no processo de aquisição da escrita e pudemos perceber suas hipóteses. O processo se dava da mesma forma daquela criança que precisava escrever a palavra à mão. Eu mostrava a ele uma série de letras móveis e pedia para que ele montasse determinada palavra, ele selecionava as letras com as quais julgava poder escrever a palavra pedida e montava na ordem que achava correta.
Depois de algum tempo, com este processo de focar no raciocínio, passamos a intercalar a exigência com a grafia, pedindo para que montasse a palavra e depois tentasse escrevê-la. Lucas tinha um ritmo diferente para realizar as atividades, mais lento, mas isto nunca o impediu de fazer as mesmas lições que os colegas de classe, com a única diferença, que ao invés de escrever, por exemplo, cinco palavras, ele escrevia três e esse progresso foi muito gratificante para nós.


